Sendo a água constitutiva do ser humano, da vida como um todo e do meio ambiente da vida, ela é um direito natural, patrimônio da humanidade, dádiva divina e não obra humana. Por isso, ela não pode ser reduzida a uma mercadoria e a um bem particular. E nenhum ser humano pode arrogar a si o poder de negar a qualquer semelhante ou ser vivo este bem essencial à vida. A humanidade toma consciência que terra e água são indissociáveis. A Terra é o “Planeta Água” e só se conhece água na terra. Daí a necessidade de manejar com consciência e responsabilidade esses bens entregues por Deus à humanidade para que deles cuidasse com carinho. Por isso é um imperativo bíblico e vital respeitar e cuidar da terra e da água, missão especialmente confiada aos agricultores(as), unidos em suas comunidades de resistência. a) Estimular os/as trabalhadores/as a lutar pela preservação da água e dos mananciais: recuperação e reflorestamento das matas ciliares, com espécies nativas; tratamento e reciclagem do lixo e esgotos domésticos, industriais e agroindustriais. b) Investir na formação e informação de agentes e de trabalhadores/as: aprofundar o sentido da água para a agricultura familiar; descobrir formas de captação, armazenamento e uso da água; estudar a legislação ambiental, lei de recursos hídricos, as atribuições da Agencia Nacional da Água, o direito do uso e da apropriação da água; produzir subsídios em linguagem popular em vista de promover uma educação ambiental; divulgar experiências agroecológicas e de preservação do meio ambiente; incentivar programas de formação de agentes ambientais das comunidades. c) Incentivar a participação dos(as) trabalhadores(as) e de suas organizações: nos conselhos municipais; nos comitês de bacias hidrográficas; nos fóruns de defesa dos direitos à água. d) Estimular a criação de uma grande rede de entidades pastorais, grupos e organizações para conquista e defesa da água: elaborar, com participação de todas as regiões, propostas de políticas públicas de recursos hídricos e participar de uma campanha nacional urgente de informação sobre o direito do acesso à água e de combate à sua privatização e mercantilização, participando de forma efetiva na Campanha da Fraternidade 2004. e) Reforçar a luta pela conquista de políticas públicas de recursos hídricos, pressionando para que os orçamentos públicos contemplem os recursos hídricos; trabalhando estratégias de enfrentamento das políticas oficiais; criando mecanismos de controle popular na aplicação das verbas destinadas aos recursos hídricos. f) Apoiar e participar de lutas concretas: combate à transposição do Rio São Francisco; combate à privatização e à mercantilização das águas; combate aos grandes projetos de barragens, de irrigação, de hidrovias, de hidroelétricas, de gasodutos na Amazônia, devastadores da natureza e da vida; combate ao uso de produtos químicos na agricultura; combate ao uso indiscriminado da água na irrigação; propostas de convivência com o semi árido; captação de água de chuva através das cisternas; campanha de “ Um Milhão de Cisternas”; técnicas de captação já existentes; ocupações dos açudes públicos; ocupações nas áreas onde haja concentração de água; discussão em nível nacional as questões do semi árido; criação de reservas extrativistas; movimento dos ribeirinhos pela preservação dos lagos, rios, igarapés da Amazônia. |